Blogue da Escola Secundária de Amora. Espaço de partilha de iniciativas desenvolvidas pelos alunos, no âmbito das disciplinas de Cidadania e Desenvolvimento e Cidadania e Arte ou de atividades com elas relacionadas. A Educação para a Cidadania procura explicitar, no contexto do viver coletivo, a relação íntima entre Conhecimentos e Valores, visando uma participação Cívica cada vez mais ativa, esclarecida e responsável.
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50A25A - Imigração feminina


15 DE ABRIL. Fim de semana concluído, o dia começou dedicado ao domínio do mundo do trabalho. Dentro deste domínio, o problema escolhido foi o da imigração feminina antes e depois do 25 de Abril. Isto é, a turma do 1.º TT quis conhecer como eram tratadas as mulheres trabalhadoras que chegavam a Portugal, antes do 25 de Abril e como são tratadas hoje.

Para além da investigação que desenvolveram nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento, com a colaboração do CIDAC, organizaram um colóquio-conversa para aprofundar e debater este assunto. Deste modo, decidiram convidar três organizações: a UMAR - União das Mulheres Alternativa e Resposta, o MDM - Movimento Democrático das Mulheres e o PTP - Projeto Teatral Pêndulo.

Com o auditório cheio, as nossas alunas e os nossos alunos começaram por ouvir as representantes de cada uma das organizações convidadas, que partilharam informações e experiências, na primeira pessoa. Depois fizeram perguntas. Por fim, apresentaram os seus pontos de vista e debateram. E foi um debate muito vivo e participado.

Silenciados, durante 48 anos


Foi inaugurada, no dia 5 de dezembro, na sala polivalente da nossa escola, a exposição «Silenciados — A censura durante 48 anos de fascismo», em Portugal.
Esta iniciativa insere-se no projeto CoESA, planeado e desenvolvido em parceria com o CIDAC — Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral. Trata-se de mais um projeto que é realizado no contexto da estratégia de Educação para a Cidadania que a nossa escola tem levado a cabo, nos últimos seis anos.

A exposição dá a conhecer documentos originais produzidos por agentes da PIDE/DGS que, como refere o seu texto introdutório, exerciam «Censura sobre tudo, a todo o tempo, em todos os lugares [...] A censura foi o primeiro instrumento de propaganda e de enquadramento ideológico. 
Funcionando à margem dos tribunais, proibia, multava, suspendia e mandava prender.»

É esta realidade histórica que agora está a ser mostrada aos nossos alunos, para que o seu conhecimento sobre o nosso passado recente se aprofunde e sobre ele possam refletir e debater. 

Esta atividade pretende também constituir um contributo o enriquecimento de projetos em fase de construção, na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, que visam assinalar os 50 anos do 25 de Abril (a sua partilha pública ocorrerá entre os dias 1 de março e 3 de maio do próximo ano).




Complementarmente, os alunos puderam escrever em pequenos cartazes, afixados na biblioteca, o que entendem por liberdade de expressão.





Todo o material da exposição é pertença da Associação Ephemera — Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira, a quem agradecemos os documentos partilhados, a disponibilidade, a simpatia com que nos recebeu e o extraordinário serviço público que presta ao país.

A exposição foi formalmente aberta ao público com a canção Venham Mais Cinco, de José Afonso, muito bem cantada pela Banda da ESA. 
A visitar, entre 5 e 20 de dezembro.

Fóruns de Turma


Estão a decorrer, durante a semana de 8 a 14 de novembro, os Fóruns de Turma (assembleias de turma). Estes Fóruns (49, no total) constituem espaços para análise e debate de assuntos da vida escolar e/ou de outros assuntos considerados pertinentes pelos alunos. Visam a construção e o reforço da cultura de participação democrática, criando condições para que a voz dos nossos estudantes seja efetivamente ouvida. 
Nestes Fóruns, a ordem de trabalho tem dois pontos. 
No primeiro ponto, os alunos pronunciam-se sobre a criação de uma obra coletiva para assinalar os 50 anos do 25 de Abril, nomeadamente: 
   a. O que deve ser representado na obra? O que consideram ser mais significativo no 25 de Abril e nos 50 anos do 25 de Abril? Que valores estas datas encerram que devam ser simbolizados numa obra que fique a residir na ESA? O que será mais relevante representar?
    b. O formato: que tipo de objeto? Um mural, uma estátua, um azulejo, um painel, uma escultura, um..., uma....?
    c. A localização: no recinto da escola, onde instalar a obra? 
    d. Há alunos voluntários para a elaboração da obra?
No segundo ponto da ordem de trabalhos, cada turma escolhe um tema/problema para analisar e debater.
As conclusões de ambos os pontos serão levadas, pelos delegados e subdelegados, ao Fórum de Delegados de Turma que vai ter lugar no próximo dia 22 de novembro.
A criação da obra coletiva acima referida constitui uma atividade prevista e financiada pelo projeto CoESA — uma parceria entre a ESA e o CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral).
Estes Fóruns são coordenados pelos professores de Cidadania e Desenvolvimento.

CoESA - um projeto em parceria com o CIDAC

Este é o sexto ano letivo consecutivo que a ESA e o CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral - trabalham em parceria. A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e os seus alunos têm sido o espaço de confluência e os protagonistas da realização de projetos em que se cruzam a educação formal e a educação não formal. Exemplos desse trabalho de parceria foram o Projeto Povos Culturas e Pontes (com a participação da Câmara Municipal do Seixal e a Fundação Gonçalo da Silveira), que teve a duração de dois anos, e o projeto Jovens Embaixadores do Comércio Justo, que foi desenvolvido durante três anos, entre outras colaborações mais específicas.

Este ano, estamos a iniciar o desenvolvimento de um novo projeto, designado CoESA — Co-construindo Cidadania Global na Escola, que obteve o financiamento do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. 

Visando aprofundar uma cultura de Educação para o Desenvolvimento e, ao mesmo tempo, reforçar o modelo colaborativo Escola/ONGD, este projeto abarca várias dimensões da vida escolar da ESA, envolvendo o currículo formal e o currículo não formal.

A nível do currículo formal, o projeto realiza-se no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento abrangendo quatro turmas: 10.º G, 1º TT, 2.º TGPSI e 3.º TAE.

Um momento de trabalho, em coadjuvância (professora e técnicas do CIDAC), com uma das turmas

A nível do currículo não formal, estão previstas várias iniciativas. A breve prazo, no próximo mês de dezembro, teremos uma exposição sobre a liberdade de expressão, em colaboração com a Ephemera — Associação Cultural e uma palestra/conversa, sobre o mesmo tema, entre os nossos alunos e dois convidados: Luísa Teotónio Pereira, ex-coordenadora da Comissão para os Direitos do Povo Maubere e membro da Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, e Adelino Gomes, jornalista e investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE. 
Ambas as iniciativas pretendem contribuir para o desenvolvimento e consolidação de projetos que os nossos alunos estão a preparar, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, cujo lema é: Liberdade, a quanto obrigas, para te conquistar e para te manter! 

Há relação entre o Comércio, o Desenvolvimento e os Direitos Humanos?

A parceria entre a Escola Secundária de Amora e o Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral (CIDAC) prossegue, com evidente empenho de ambas as partes. Um exemplo mais.
Os alunos do 2TGPSI tiveram a oportunidade, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, de delinear projetos, com a colaboração desta ONGD — em sala de aula e em coadjuvância com a docente da disciplina. Pretendia-se investigar relações entre os domínios dos Direitos Humanos e do Desenvolvimento Sustentável. 
Durante as sessões, os alunos trabalharam casos de estudo no âmbito da produção e comercialização de bens e produtos do dia-a-dia, analisando situações de violação de direitos humanos, de entre as quais, a desigualdade no trabalho, a desigualdade salarial, a injustiça e a exclusão sociais. 

Foi neste contexto que os alunos desenvolveram os seus projetos, convivendo com o conceito de Comércio Justo e aprendendo o seu significado, baseado «na promoção de uma aliança entre todos os atores da cadeia comercial, dos produtores/as aos consumidores/es, excluindo os intermediários não necessários, visando denunciar as injustiças do comércio e construir princípios e práticas comerciais cada vez mais justos e coerentes» (CIDAC). 
A pergunta orientadora era: o desenvolvimento, se não for social e economicamente justo, para além de respeitador do meio ambiente, poderá ser entendido como sustentável e respeitador dos direitos humanos?

Dr. Stéphane Laurent, do CIDAC, trabalhando com os nossos alunos.

Trabalhando e festejando a interculturalidade

Oficina da Interculturalidade — Viagem Cultural foi a designação dada à atividade que as turmas do 10.º C, 1.º TAS e 12.º D (com a colaboração do 10.º H, do 12.º B e do 12.º G) pensaram e planificaram durante várias semanas e realizaram durante o dia 22 de maio — vinte e quatro horas depois do anualmente assinalado Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, proclamado pela Assembleia Geral da ONU, em 2003. 

Este foi o terceiro ano que os nossos alunos, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, desenvolveram esta atividade — iniciada em 2019, interrompida durante o período da pandemia, e retomada no ano passado, por sua vontade e iniciativa.

Oficina, porque a interculturalidade é algo que, para além de ser festejado, tem de ser trabalhado diariamente por todos. Por esta razão, a atividade desenvolvida teve dois objetivos complementares: contribuir para o conhecimento e a partilha de diferentes culturas do mundo e, simultaneamente, contribuir para a reflexão e o debate de problemas que a interculturalidade incorpora. 

Foram 18 os países representados, distribuídos por nove pavilhões, aos quais se juntaram um pavilhão do Comércio Justo, com produtos de diferentes países (de que ficou responsável um grupo de trabalho do 12.º G, com a colaboração do CIDAC), e uma mostra de livros da Associação Mulheres Sem Fronteiras. 

Jogos, gastronomia, música, poesia e dança de diferentes culturas foram partilhadas ao longo do dia. A Banda da ESA, um grupo de dança de alunas da ESA e um grupo de alunos declamadores foram os protagonistas da expressão artística desta atividade.

A parte da reflexão e debate de problemas que o convívio entre culturas envolve ocorreu nas duas palestras realizadas na parte da manhã: uma sobre a mutilação genital feminina, com a Dr.ª Alexandra Luís (Associação Mulheres Sem Fronteiras), e outra sobre os problemas relativos às migrações, com a Dr.ª Maria Fernanda (funcionária da ONU, em missão na Zâmbia, que interveio por videoconferência) e a Dr.ª Lígia Almeida da Ad Sumus - Associação de Imigrantes de Almada.

Esta iniciativa contou, mais uma vez, com o apoio logístico (cedência dos pavilhões) da Junta de Freguesia de Amora.

Fica o registo de alguns dos momentos da Oficina da Interculturalidade — Viagem Cultural (2023).

Antes do dia, construindo materiais.

  

 

  


No dia, ao ar livre.

Momento das palavras de abertura proferidas por uma aluna da Comissão Organizadora


 

 


 

 



No auditório.




A Banda

  

 

O Grupo de Dança


E para encerrar o dia...