Blogue da Escola Secundária de Amora. Espaço de partilha de iniciativas desenvolvidas pelos alunos, no âmbito das disciplinas de Cidadania e Desenvolvimento e Cidadania e Arte ou de atividades com elas relacionadas. A Educação para a Cidadania procura explicitar, no contexto do viver coletivo, a relação íntima entre Conhecimentos e Valores, visando uma participação Cívica cada vez mais ativa, esclarecida e responsável.
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2023-2024 - Cidadania (re)vivendo o 25 de Abril

No ano letivo em que Portugal celebra os 50 anos do 25 de Abril, a ESA definiu que a estratégia de educação para a cidadania assim como os diferentes projetos desenvolvidos pelos alunos devem ter como elemento agregador o seguinte lema: Liberdade, a quanto obrigas, para te conquistar e para te manter! 

A Escola portuguesa tem a obrigação de contribuir para que os seus alunos compreendam que a conquista e a manutenção da Liberdade só foram e só são possíveis através de um contínuo e empenhado exercício de cidadania. E que a cidadania, para ser plena, exige conhecimento, exercício crítico e participação na vida coletiva.

Conhecer, comparar e debater as realidades políticas, sociais e económicas, assim como os valores dominantes nas várias dimensões da sociedade portuguesa do período de 48 anos de fascismo e do período de 50 anos de Liberdade, iniciado com o 25 de Abril de 1974, é uma condição necessária para o exercício do direito e do dever de cidadania. 

Este foi o desafio do ano letivo findo. Desafio que mobilizou toda a comunidade educativa da Escola Secundária de Amora.

Após a conclusão deste desafio, ocorreu ainda um evento com seis países da Iniciativa Ibero-Americana, de que também abaixo damos conta.

50A25A - Oficina da Interculturalidade - Liberdade e Libertações

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2 e 3 DE MAIO. O encerramento das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, na ESA, ocorreu com a 5.ª edição da Oficina da Interculturalidade — organizada pelas turmas 9.º C, 10.º E, 11.º A, 11.º C e 11.º D, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. 
O tema aglutinador foi Liberdade - Libertações, o que permitiu ligar de modo inequívoco a conquista da Liberdade em Portugal às lutas de Libertação levadas a cabo nas ex-colónias portuguesas de África.

Assim, os nossos alunos investigaram, em simultâneo, aspetos relevantes da vida política, económica, social e cultural em Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e também Timor-Leste, antes e pós 25 de Abril de 1974. 
Por considerarem ser culturalmente significativo, os alunos acrescentaram, a estas ex-colónias, outras ex-colónias portuguesas (Brasil, Goa e Macau), pois queriam saber da eventual influência do 25 de Abril na vida desses povos, apesar das suas ligações históricas a Portugal serem muito diferentes.
Cada um destes países ou regiões teve direito a montar uma Tenda Cultural, onde o trabalho de investigação desenvolvido foi exposto. 

No primeiro dia da Oficina, cada Tenda mostrou documentos (cartazes, textos e fotos) publicados quer pelo governo ditatorial quer pelos movimentos de libertação, antes do 25 de Abril e, no segundo dia, foram expostos materiais publicados no dia da Revolução e dias seguintes. 
Por essa razão, simbolicamente, as atividades do primeiro dia encerraram ouvindo-se, em toda a escola, a música E Depois do Adeus, de Paulo de Carvalho — 1.ª senha da Operação Fim-Regime, e o segundo dia iniciou-se com a audição de Grândola Vila Morena, de José Afonso — 2.ª e definitiva senha que confirmou a irreversibilidade do Movimento das Forças Armadas.

As Tendas Culturais tinham também, em exposição, artesanato, trajes, jogos e gastronomias de cada país ou região. 

Cada aluno visitante das Tendas tinha na sua posse um passaporte que lhe permitia participar num jogo em que deveria responder a perguntas específicas do país/região visitada. 
As respostas certas davam direito a prémios de gastronomia regional, confecionada pelos alunos e familiares.

Duas organizações parceiras da ESA, que tiveram uma participação ativa na preparação desta Oficina, também expuseram, em tendas próprias, documentos, livros, cartazes, gastronomias e artesanato. Referimo-nos ao CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral) e à editora Falas Afrikanas.

Durante os dois dias, para além das Tendas Culturais, desenvolveram-se múltiplas atividades, quer no espaço ao ar livre, quer no auditório, quer em salas de aula: música (Banda da ESA e ESA Samba), poesia, dança, oficinas («O 25 de Abril começou em África», com o grupo Consciência Negra; «Escrita Criativa», com o poeta e escritor Zetho da Cunha Gonçalves e Raja Litwinoff), colóquio «Clandestinidade e Liberdade» (com o ex-preso político José Pedro Soares), desfiles de trajes (Anos 70; Trajes Africanos), teatro (peça As Operárias, escrita e representada por alunos), Estátuas Vivas (Manifestação por Direitos), Flash Mob, leitura encenada do conto Nós Matámos o Cão-Tinhoso, de L.B. Honwana (pelo ator Miguel Serrão, do grupo de teatro A Comuna).
Todas as atividades tiveram como elemento agregador a Revolução de Abril.
Um breve registo fotográfico dessas atividades:
                
                    
     
   
       
No final, a grande equipa organizadora, ainda que cansada, festejou o bom trabalho realizado.

Para além das turmas organizadoras, tiveram participação ativa alunos das seguintes turmas: 7.º A (Poesia), 9.º D (Poesia), 10.º A (Poesia e Estátuas Vivas), 10.º C (Poesia), 10.º E (Poesia e Desfile de Trajes dos Anos 70 e Africanos), 10.º G (Poesia), 10.º H, (Pintura da Faixa de Entrada), 11.º TGPSI (Equipa de Som) e 2ESA (Teatro). 
A 5.ª Oficina da Interculturalidade contou igualmente com a participação de assistentes operacionais (Logística) e técnicos (Poesia) e a colaboração graciosa da HCSOM, assim como com o apoio logístico da Junta de Freguesia de Amora e da Câmara Municipal do Seixal. 
O PCE (Projeto Cultural de Escola) foi parte integrante na construção do projeto Oficina da Interculturalidade, que encerrou as Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, na ESA. 
As comemorações foram iniciadas no dia 1 de março e concluídas hoje, dia 3 de maio.

50A25A - Liberdade e Saúde


30 DE ABRIL. Durante todo o dia de hoje, teve lugar o X Congresso de Saúde da ESA, organizado pelo PPES — Projeto de Promoção e Educação para a Saúde, da nossa escola. Este ano, o tema foi: Pessoas Saudáveis num Planeta em Liberdade. 

Foi justamente com a conquista da Liberdade, no dia 25 de Abril de 1974, que foi possível desenvolver as condições para que, quatro ano depois, em 1979, fosse conquistado, para os portugueses, um dos direitos fundamentais de qualquer ser humano — o Direito à Saúde —, através da criação do Serviço Nacional de Saúde. Este X Congresso de Saúde também celebra esta conquista.

Este dia foi um dia cheio! Cheio de iniciativas: de manhã à noite, foram múltiplas as atividades realizadas com muitos protagonistas: alunos (que são e devem ser os principais protagonistas), professores, funcionários, pais, e muitos convidados.

O auditório, a sala polivalente, a biblioteca, as salas de aula, os pavilhões, todos os espaços da escola foram ocupados com uma grande diversidade de ações em torno da temática da Saúde.
Ficam alguns registos fotográficos deste dia.

50A25A - A Imprensa Clandestina, por Eduardo Palaio

29 DE ABRIL. Também durante a manhã, decorreu no auditório da ESA o colóquio Imprensa Clandestina, por Eduardo Palaio, apresentado e dinamizado por dois alunos do 9.º D. O colóquio teve como principais objetivos: "conhecer a resistência à ditadura no Concelho do Seixal"; "reconhecer o papel da censura e a impossibilidade da expressão livre antes do 25 de abril." 

O Projeto Cultural de Escola tem dinamizado anualmente visitas de trabalho à Tipografia Popular do Seixal, na sua parceria com o Ecomuseu Municipal. "No local está disponível um programa de iniciativas de serviço educativo, para a transmissão do saber-fazer, assegurada pela presença de Eduardo Palaio", que é o responsável pela Tipografia Popular no Seixal e, paralelamente, um comunicador, um homem de cultura, escritor e pintor. Antes do 25 de Abril, foi cartoonista com o conhecido José Vilhena, participou na Guerra Colonial e foi oposicionista ao regime da ditadura. 

Foi nesta qualidade que Eduardo Palaio nos veio falar sobre a imprensa clandestina, não deixando de explicar particularidades sobre a imprensa em geral (hoje, bastante distante da vida dos nossos estudantes), tendo feito ainda alguma referências ao papel das sociedades filarmónicas do Concelho na divulgação cultural, antes do 25 de Abril. 

As alunas e os alunos dirigiram várias perguntas ao nosso convidado, nomeadamente sobre a sua participação na guerra colonial, sobre a ausência de liberdade de expressão antes do 25 de Abril, sobre a existência de casas clandestinas no Seixal, sobre os jornais que se faziam. 

A finalizar, a turma 9.º A apresentou a Eduardo Palaio o seu projeto de criação de um livro.

Participaram nesta atividade as turmas 9.º A, 10.º D, 12.º C e 3.º TGPSI.

50A25A - Migrações

16 DE ABRIL. Inauguração da exposição Migrações, um projeto da turma 10.º G levado a cabo na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, em aulas realizadas em coadjuvância com o CIDAC. O que são os movimentos migratórios? Que tipo de migrações existem? A migração é um direito? Que relação este tipo de questões pode ter com o nosso 25 de Abril? Somos um povo que migra muito? Migrou e já não migra? Como recebemos aqueles que vêm até nós? Podemos ficar indiferentes ao que se tem passado no Mar Mediterrâneo?

Estas foram algumas das perguntas geradoras de um projeto de investigação que culminou nesta exposição.

50A25A - A Banca e as Nacionalizações com Anselmo Dias


16 DE ABRIL. As turmas 11.º C2 e 12.º E encontraram-se com Anselmo Dias, autor do livro Da Resistência Antifascista à Nacionalização da Banca, a quem colocaram várias e interessantes questões. O convidado foi acolhido na escola por um aluno representante do 12.º E, turma que organizou esta oficina, nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento, onde preararam algumas questões sobre o tema, colocadas ao longo da sessão. Uma delas, sobre momentos marcantes relacionados com a opressão na ditadura, teve como resposta os assassinatos de Humberto Delgado, do escultor Dias Coelho e do prisioneiro que a PIDE atirou pela janela.
Questionado sobre a ação direta da PIDE, na sua pessoa, referiu o receio que todos tinham de falar e de, no Sindicato dos Bancários, a que pertencia, terem sido presas, já nos anos 70, nove pessoas que protestavam contra a fome no mundo.
Anselmo Dias apresentou aos jovens, não só as características particulares da economia portuguesa antes do 25 de Abril, em que sete grandes famílias dominavam os setores chave e, como o seu contraste, 56% de casas não tinham água nem luz e existiam 2,2 milhões de analfabetos, entre outros aspetos.
Ilustrou a sua explanação com músicas apropriadas, por exemplo, quando se referiu à fome e à pobreza durante o fascismo, ouviu-se Zeca Afonso, em "Vampiros".
A pedido dos alunos, o convidado referiu-se também à guerra colonial e às características repressivas do regime na época de Marcelo Caetano, respondendo à pergunta sobre uma eventual abertura política nesse período.
A propósito da Revolução, ouviu-se o poema As Portas que Abril Abriu, de Ary dos Santos, tendo Anselmo Dias dividido em três as fases da época pós 25 de Abril.
Na última parte da sessão, especificando o tema das nacionalizações, o convidado explicou o processo que ocorreu em 1975 e, em particular, referiu a necessidade de estar disponível para o país o capital que anteriormente só pertencia a muito poucos.
Por último, uma das alunas presentes questionou sobre as diferenças económicas sentidas com a nacionalização, assunto mais polémico, que motivou várias considerações, nomeadamente os atuais lucros das grandes empresas, face às necessidades de vida das pessoas e dos jovens em particular.

50A25A - Imigração feminina


15 DE ABRIL. Fim de semana concluído, o dia começou dedicado ao domínio do mundo do trabalho. Dentro deste domínio, o problema escolhido foi o da imigração feminina antes e depois do 25 de Abril. Isto é, a turma do 1.º TT quis conhecer como eram tratadas as mulheres trabalhadoras que chegavam a Portugal, antes do 25 de Abril e como são tratadas hoje.

Para além da investigação que desenvolveram nas aulas de Cidadania e Desenvolvimento, com a colaboração do CIDAC, organizaram um colóquio-conversa para aprofundar e debater este assunto. Deste modo, decidiram convidar três organizações: a UMAR - União das Mulheres Alternativa e Resposta, o MDM - Movimento Democrático das Mulheres e o PTP - Projeto Teatral Pêndulo.

Com o auditório cheio, as nossas alunas e os nossos alunos começaram por ouvir as representantes de cada uma das organizações convidadas, que partilharam informações e experiências, na primeira pessoa. Depois fizeram perguntas. Por fim, apresentaram os seus pontos de vista e debateram. E foi um debate muito vivo e participado.

50A25A - Jogando e percebendo o 25 de Abril

12 DE ABRIL. A turma do 9.º B convidou alunos do 7.º ano para lhes explicar o que são instituições democráticas e o que é a participação democrática. E assim fez, a turma explicou,  com exemplos, o «antes» e o «depois» do 25 de Abril e algumas das instituições dos dois regimes políticos. E para se saber se a «matéria» tinha sido bem aprendida pelos colegas mais pequinitos, fizeram-lhes perguntas através do jogo do Kahoot. E os resultados até foram bem positivos...

50A25A - Onde estava no 25 de Abril?

11 DE ABRIL. A turma do 10.º H apresentou no auditório da escola o projeto que desenvolveu a partir da pergunta: «Onde estava no 25 de Abril?». 

Depois de fazer o enquadramento histórico dos antecedentes da Revolução, a turma partilhou com os colegas convidados as entrevistas que realizaram a professores, funcionários e familiares. 

Após o visionamento das entrevistas, os alunos comentaram as respostas obtidas, explicando de que modo essas respostas os ajudaram a compreender melhor a importância que o 25 de Abril teve para a grande maioria dos portugueses.

Liberdade foi naturalmente a palavra mais ouvida, e o que ela possibilitou foi o mote para uma interessante reflexão coletiva.

50A25A - Estátuas da Liberdade

5 DE ABRIL. Inauguração da exposição Estátuas da Liberdade. Esta exposição resulta de um projeto comum das turmas 10.º A, 10.º H, 11.º C1/C2, 11.º D, 11.º F e 11.º G, desenvolvido em Filosofia com a colaboração interdisciplinar de Artes Visuais.
O diaporama que se segue mostra a diversidade dos temas trabalhados artisticamente e a criatividade dos nossos alunos.

50A25A - Discriminação no Feminino.

 4 DE ABRIL. Profissões Vedadas às Mulheres (antes do 25 de Abril) é a designação que a turma do 1.º TC/TG deu ao seu projeto, enquanto contributo para as comemorações dos 50 anos da Revolução do dos Cravos, realizado na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

Este projeto inclui um concurso de Kahoot, aberto a todos os alunos da ESA, com perguntas sobre o antes e o pós 25 de Abril, no que diz respeito a trabalhos profissionais cujo acesso estava vedado ou era muito dificultado às mulheres portuguesas.

As mulheres portuguesas sofriam, assim, uma dupla discriminação: em relação aos homens e em relação às mulheres de países que não vítimas de uma tirania fascista. 

50A25A - O nosso desenvolvimento: antes e pós 25 de Abril

22 DE MARÇO. Apresentação, no auditório, das conclusões do projeto realizado pela turma do 12.º C, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, sobre o antes e pós 25 de Abril, no que diz respeito a diferentes domínios da sociedade portuguesa, nomeadamente: educação, economia e política. 

Esta apresentação contou com a participação de três turmas convidadas que, com os colegas do 12.º C, debateram e questionaram várias das conclusões partilhadas.

50A25A - Aurora Rodrigues, uma história na PIDE

21 DE MARÇO. A convite da turma 10.º E, Aurora Rodrigues está no Auditório da ESA para uma conversa com os estudantes. 

No dia da poesia, a convidada relembrou o poema de Martin Niemoller, E não sobrou ninguém, lido pelas alunas organizadoras.

O 10.º E, no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento tem trabalhado em diversas atividades ligadas à Liberdade de expressão, um dos Direitos Humanos escolhido para os seus projetos.
O convite a Aurora Rodrigues, presa pela PIDE em maio de 1973, foi uma das iniciativas da turma. As organizadoras da atividade pesquisaram sobre Aurora Rodrigues e consultaram o seu livro Gente Comum, uma história na PIDE, e redigiram o texto que leram no início do evento: 

«É com grande admiração que hoje temos a honra de receber Aurora Rodrigues, uma sobrevivente da PIDE. Aurora Rodrigues é uma figura notável da resistência à ditadura em Portugal. Nasceu a 20 de janeiro de 1952, enfrentou a opressão da PIDE, envolvendo-se ativamente na luta pelos direitos humanos e pela liberdade política. A sua coragem e firmeza diante da violência e da intimidação do regime ditatorial são exemplos inspiradores de resistência. Aurora desafiou o poder estabelecido, defendendo os valores fundamentais da democracia e da justiça social. Esta atividade está integrada nas comemorações do 25 de abril da nossa escola, e foi elaborada pela turma do 10.º E, agora passamos a palavra para a Aurora Rodrigues.»

Vários alunos e alunas participaram, colocando diversas perguntas à convidada, entre elas: «Como foi a sua vida enquanto presa?», «A que humilhações eram sujeitas as mulheres nas cadeias da PIDE?», «O que a motivou a escrever o seu livro?», «Porque a extrema-direita está a avançar na Europa?»,  «O que sentiu quando aconteceu o 25 de abril?»